Notícias

Oito meses da tragédia em Brumadinho: comércio e agricultura lutam para sobreviver 

Por Redação, 25/09/2019 às 10:47
atualizado em: 25/09/2019 às 12:13

Texto:

Ouça na Íntegra
00:00 00:00
Foto: Fábio Barros/ Estadão Conteúdo
Fábio Barros/ Estadão Conteúdo

A tragédia de Brumadinho completa oito meses nesta quarta-feira. Os moradores da cidade, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ainda tentam contabilizar os danos ambientais causados pelo rompimento da barragem B1, da mineradora Vale, na Mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro. Os danos humanos passam de centenas. Foram pelo menos 249 mortos – 21 pessoas seguem desaparecidas. 

A Itatiaia inicia nesta quarta-feira a série de reportagens “Cidades em Risco”. Na primeira reportagem, será detalhado como está o comércio em Brumadinho. Uma pesquisa divulgada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade revelou que alguns comerciantes tiveram perdas de até 70% do lucro. 

Na comunidade Parque da Cachoeira, uma das mais afetadas pelo mar de lama, Adilson Charles Ramos, que tem um depósito e uma mercearia, viu os clientes sumirem. Se antes ele assava 300 pães por dia, atualmente nem 100 saem do forno. 

“Tem dia que a gente fecha mais cedo. Não está tendo quase retorno nenhum. O depósito mesmo eu abro só na parte da manhã. Outro dia eu entrei aqui 13h fiquei até 16h30 e não vendi nenhum prego”, desabafa. 

As visitas ao Parque da Cachoeira são escassas, segundo o comerciante. Quando elas acontecem, são de curiosos. “Fim de semana aqui é um bairro deserto. Vem pessoas aqui, mas é só para ver onde a lama passou. Comércio mesmo não tem reação nenhuma”, completa. 

O comerciante Paulo Gonçalves, que tem uma venda, sobrevive na raça. Os clientes que restam são apenas os fiéis. A situação dele ficou ainda mais dramática após ser vítima de um assalto. Mais de R$ 38 mil, que eram para pagar fornecedores, foram levados. “Aí que acabou de complicar tudo. Já não estava bom, agora vejo que vou ter que fechar as portas”, desabafa.

Auxílio da Vale 

Conforme o presidente da CDL de Brumadinho, Audinei Pereira, dias mais negativos para o comércio foram vividos logo após o rompimento da barragem. No entanto, o pagamento de um auxílio emergencial, que foi firmado entre a Vale e os Ministérios Públicos Estadual e Federal, deu sobrevida à economia local. 

O benefício tem duração de um ano e é pago de maneira retroativa (de janeiro a dezembro) para todos os moradores de Brumadinho. O valor é um salário mínimo para adultos; adolescentes recebem metade da quantia e crianças um quarto do valor. 

Apesar disso, para Audinei Pereira, o cenário é de incerteza com relação ao futuro, quando o benefício deixar de ser pago. “A gente sabe que é uma onda que vai passar, porque os pagamentos finalizam agora no fim do ano e a nossa maior preocupação é o que virá após os pagamentos. Ano que vem vamos aguardar e esperar.”

Agricultura

Os moradores que sobreviviam da agricultura tiveram as vidas completamente alteradas, já que boa parte da terra que era usada para o plantio foi devastada e destruída pelo mar de lama. 

Soraia Campos, que vendia hortifruti para a Ceasa e comércios da região, diz que está completamente parada. Ela admite que, em meio à dificuldade financeira, a solução encontrada pelos agricultores é sucumbir aos acordos individuais oferecidos pela Vale, que são classificados como injusto pela mulher. 

“Não são bons para os agricultores, mas não conseguimos mais esperar. São oito meses, conta chegando, temos filho que precisa alimentar e estudar. São decisões que temos que tomar, mesmo sabendo que não era bom para a gente esse acordo individual”. 

Desolado, José Salvador olha para a horta coberta pela lama. Ele diz que está sem condição de trabalho porque perdeu todos os implementos que tinha. “Irrigação, o terreno, foi tudo embora. Não tem como a gente trabalhar, porque a área toda de agricultura está impactada”, diz. 

Na reportagem desta quinta-feira (26), a Itatiaia vai a Barão de Cocais, cidade que vive assolada pela lama invisível. Título que surgiu após regiões do município serem isoladas com o risco elevado de rompimento da barragem Sul Superior, da mina de Gongo Soco, da mineradora Vale.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    O caso foi revelado em primeira mão pela rádio Itatiaia e repercute nacionalmente.

    Acessar Link