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Impunidade marca quatro anos do crime socioambiental da Samarco em Mariana

Por Redação , 05/11/2019 às 06:51
atualizado em: 05/11/2019 às 15:22

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O rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas, completa quatro anos nesta terça-feira. São quatro anos sem punição, quatro anos que as famílias esperam por um reassentamento. Quatro anos de um rio morto. Quatro anos de impactos irreparáveis para a saúde e para o meio ambiente. Quatro anos de saudade para quem perdeu um familiar ou um amigo.

Ouça mais informações com os repórteres João Felipe Lolli e Mônica Miranda

 

O rompimento da barragem de Fundão deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que destruiu casas, sonhos, rios e o meio ambiente nos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu. De acordo com o Ministério Público, 700 mil pessoas foram atingidas no território devastado pela lama, entre Minas e o Espírito Santo. A Renova, fundação criada pela Samarco para atender as vítimas, calcula que 319 mil pessoas receberam algum tipo de indenização ou auxílio financeiro emergencial.

A lama da Samarco atravessou mais de 700 km do Rio Doce e chegou ao mar. Até hoje, famílias que dependiam do rio para sobreviver sofrem as consequências. “Vivemos agora uma situação diferente. No início, veio a questão da lama, a morte dos animais e dos peixes. Costumo dizer que o Rio Doce ficou inabitável, porque não há vida no rio. A longo prazo, estão vindo os outros problemas, como doenças de pele e respiratórias”,  diz o indígena Geovani Krenak, que participou na última da  4ª Semana de Estudos Amazônicos (Semea), em Belo Horizonte.

Um dos representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens em Bento Rodrigues, Antônio Pereira Gonçalves, diz que sente falta da proximidade que tinha com as pessoas no distrito. “Estamos hoje em Mariana, uma cidade maior, onde um povo que era acostumado a viver dentro da comunidade pequena, onde tinha seus vizinhos próximos, o [vizinho] mais longe a pessoa sabia o que estava acontecendo na casa dele. A gente sabia a data de aniversário do vizinho, sabia que o vizinho não levantou de manhã e ia lá na porta dele para ver o que tinha acontecido. Hoje nós moramos em Mariana, não se vê o vizinho, não se vê os parentes de Bento Rodrigues.”

Ouça a reportagem de Mônica Miranda

Retomada da mineração 

No final de outubro, a Câmara de Atividades Minerárias do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), autorizou a Samarco a voltar a operar em Mariana. 

De acordo com o prefeito da cidade, Duarte Júnior (PCdoB), Mariana ainda é muito dependente da mineração, e mesmo tentando a diversificação da economia, a atividade continuará sendo a principal atividade econômica.

“Os municípios mineradores, não só Mariana, mas todos, são reféns da mineração. Oitenta e nove por cento da receita vem da mineração. Se não tem a receita da mineração, você não consegue pagar a folha. A diversificação é muito complexa. Depois de muito estudo, de muita luta, nós conseguimos junto ao INDE (Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais) e junto ao BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) que uma empresa do ramo têxtil gere 400 empregos depois de 3 anos. Já é um primeiro passo. Longe do ideal, aquém do que Mariana precisa, mas é um início importante para a diversificação da economia.”

Antônio Pereira Gonçalves também defende a retomada da Samarco. “Eu, como marianense, vejo a necessidade da retomada da empresa, pelo fato do crescimento. Hoje nós temos o reassentamento de Bento Rodrigues, o reassentamento do Paracatu. Quando acabar isso não tem atividade. Então pretendemos, sim, que a mineradora volte a funcionar.”

Justiça 

Em 2016, 22 pessoas se tornaram rés da ação penal. No entanto, 13 foram excluídas do processo. Neste ano, a acusação de homicídio e lesão corporal dos outros nove acusados foi excluída pela Justiça federal. Com isso, eles respondem por inundação qualificada.

O processo tramita na Justiça federal em Ponte Nova, também na região Central do estado.

As famílias de Bento Rodrigues, lugarejo devastado pela lama, ainda aguardam a construção de um novo distrito, pois a obra está atrasada e deve ficar pronta no fim de 2020.

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