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Agrotóxicos nos alimentos não podem ser retirados com lavagem, explica coordenadora de saúde 

Por Redação, 18/09/2019 às 11:05
atualizado em: 19/09/2019 às 08:24

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Foto: Pixabay
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A liberação de mais 63 agrotóxicos para uso na produção de alimentos no Brasil, anunciada nessa terça-feira (17) pelo Ministério da Agricultura, causa preocupação em alguns especialistas no assunto. No total, 325 novas substâncias entraram no mercado brasileiro neste ano. 

Professora do Instituto de Ciências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Grupo de Saúde e Trabalho Rural, Eliane Novato Silva diz que a decisão é assustadora. Ela explica que as substâncias são absorvidas pelas plantas e que, por isso, não é possível adotar nenhum método para retirá-las, nem a lavagem. 

Na mais recente lista autorizada pelo governo federal, duas substâncias inéditas são destaque: o Fluopiran, usado para matar fungos em plantações, e o Dinotefuram, um inseticida.

“São muitos novos princípios ativos, muitos produtos que já estavam no mercado e foram liberados. Isso aumenta muito o risco do consumidor e, principalmente, do trabalhador”, avalia. 

Para a especialista, os trabalhadores rurais são os mais expostos aos agrotóxicos. “Nós temos métodos extremamente complicados hoje como a pulverização aérea que contamina não somente o trabalhador e a cultura, como todo o ambiente”, completa. 

O outro lado 

Em contrapartida, o professor de Controle e Poluição de Solo da UFMG, Antônio Matos, diz que a liberação dos agrotóxicos e pesticidas é decorrente de “um acúmulo de processos que estavam parados em outros governos e agora foram retomados em velocidade maior”. 

Na visão dele, a utilização das substâncias não pode ser considerada como algo ruim, já que os atuais produtos liberados devem substituir os antigos, que foram “ultrapassados” tecnologicamente. “São produtos melhores que vão proporcionar melhores efeitos no controle das pragas na lavoura”, diz. 

Segundo Antônio Matos, o clima tropical do Brasil favorece o desenvolvimento de pragas que proporcionam danos à planta e, consequentemente, perda de produtividade. 

“O produtor que não controla pragas das suas lavouras corre o risco de colher pouco ou não colher o produto a ser comercializado. Isso causa prejuízo a ele e, em nível nacional, causa problemas à balança comercial do Brasil, que depende muito do agronegócio para pagar suas contas”, completa.

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